OESP, Economia, p. B2
19 de Nov de 2006
A inevitável retomada de Angra 3
A decisão de dar andamento à usina nuclear de Angra 3, como revelou reportagem publicada quinta-feira pelo Estado, é sinal de que, afinal, acendeu uma luz amarela no governo em relação ao risco de colapsos na oferta de eletricidade, como ocorreu em 2001.
Ao que tudo indica, o governo já admite a precariedade da sua política energética formulada pela ministra Dilma Rousseff, quando ocupou a pasta de Minas e Energia, e criticada pelo setor privado, principalmente porque repele os investimentos em geração, cuja atração é indispensável para o desenvolvimento do setor.
Projetada para gerar 1.309 MW, a usina de Angra 3 chegou a receber investimentos da ordem de US$ 750 milhões, principalmente no canteiro de obras e em equipamentos. Mas, paralisada desde 1986, se tornou uma fonte de gastos de US$ 20 milhões por ano, apenas para a manutenção dos equipamentos armazenados. E será necessário gastar mais US$ 1,8 bilhão para que a usina entre em operação em tempo hábil para prevenir o risco de falta de energia, sobretudo no Rio de Janeiro, distante 130 km de Angra.
Em entrevista recente, a ministra-chefe da Casa Civil admitiu que não apenas Angra 3 terá de ser concluída, como outras usinas nucleares terão de ser construídas. Apesar de Angra 3 ter uma importância fundamental, ela não faz verão sozinha, disse Dilma Rousseff. Para haver eficiência econômica, declarou, é preciso ter um conjunto de usinas nucleares. No início do governo Lula, como ministra de Minas e Energia, ela se manifestava contrária à finalização de Angra 3.
Há apenas seis meses, a retomada de Angra 3 era estudada como forma de aumentar a energia de reserva, uma prática usual em virtude do tempo gasto na construção de uma usina elétrica. Agora, porém, se reconhece que não se pode abrir mão de qualquer empreendimento nessa área.
A energia nuclear é viável economicamente e já está deixando de ser encarada com o exagerado temor de infligir danos ambientais maiores do que os de outras fontes energéticas. A Comissão Nacional de Política Energética dos Estados Unidos, entidade formada com recursos particulares e que inclui ambientalistas, divulgou recentemente relatório favorável à construção de novas usinas nucleares naquele país.
O que ainda merece crítica é o marco regulatório na área de energia, incapaz de atrair os investimentos necessários.
OESP, 19/11/2006, Economia, p. B2
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.