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Governo libera R$ 30 mi e nega demora

FSP, Cotidiano, p.C10
19 de out de 2005

Ministérios definem repasse para o AM, em calamidade desde o dia 10; 100 t de peixe morrem no Estado
Governo libera R$ 30 mi e nega demora
EDUARDO SCOLESE
KÁTIA BRASIL
O governo federal anunciou ontem, oito dias após o decreto de calamidade pública no Amazonas em razão da seca, a liberação de R$ 30 milhões para atender as cerca de 32 mil famílias atingidas pela estiagem no Estado.
Ontem à noite, a Federação de Pesca do Estado do Amazonas divulgou que morreram cerca de 100 t de peixe no local chamado Lago do Rei, formado pelas águas do rio Solimões, na altura do município de Careiro da Várzea, a cerca de 20 km de Manaus.
Há duas semanas, a Defesa Civil do Estado divulgou que morreram cerca de 40 toneladas de peixe, também no rio Solimões, próximo a Manaquiri, a 60 km da capital amazonense.
Pela manhã, representantes de ministérios -Integração Nacional, Casa Civil, Saúde, Desenvolvimento Social- e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência se reuniram no Palácio do Planalto para avaliar a situação no Estado.
No encontro, definiram a edição de uma medida provisória para a liberação imediata da verba -até agora, o governo gastou cerca de R$ 5 milhões (50 mil cestas básicas e kits de medicamentos, além de combustível e manutenção das Forças Armadas).
Ao anunciar a injeção de recursos federais na região, o ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) respondeu com ironia às críticas de ONGs nas quais o governo teria demorado para agir no atendimento às vítimas da seca.
"O governo demorou mais ou menos meia hora [a partir do decreto de emergência do governo do Estado]", afirmou.
Por conta da seca dos rios, considerada a pior das últimas cinco décadas, 914 comunidades de 28 municípios amazonenses estão isoladas, de acordo com o Ministério da Integração Nacional.
O governo federal teme a eclosão no Amazonas de uma epidemia de doenças transmissíveis pela água contaminada, principalmente após a volta dos rios aos seus níveis normais.
Restos de animais e lixo deixados nas áreas de seca, por exemplo, poderão contaminar os rios que abastecem a população. O saneamento básico ficou ainda mais precário. Água potável é uma das maiores preocupações das equipes de socorro.
Em razão disso, o governo enviou 14 toneladas de hipoclorito de sódio -princípio ativo da água sanitária- à região.
Epidemia
"Surgiu um problema de saúde pública que é uma desqualificação, uma degradação da qualidade da água potável. Já transportamos o material necessário para o tratamento preventivo da água, para evitarmos uma epidemia", afirmou Ciro Gomes.
O ministro traçou um cenário positivo para o término da seca e disse que o número de pessoas afetadas tende a diminuir nos próximos dias.
Segundo ele, com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia, o período regular de chuvas no Estado deve ser retomado neste final de mês. "Com isso, no final de novembro, já poderemos pensar na normalização gradual da situação."
Segundo o governo, cerca de 167 mil pessoas estão afetadas diretamente pela seca, que baixa o nível dos rios e compromete o principal meio de transporte do Estado.
"As primeiras chuvas começaram a acontecer, então a tendência é ir regredindo [o número de afetados]", disse.
O ministro fará hoje uma visita aos municípios afetados para verificar o emprego dos recursos federais. Na região, há quatro aviões (três Hércules e um Boeing) e 14 helicópteros das Forças Armadas atuando no transporte de alimentos e remédios.
Segundo o ministério, 150 kits de medicamentos (cada um atende cerca de 3.000 pessoas) estão sendo distribuídos na região.
E, com base numa estrutura de acompanhamento climático da pasta, o ministro desqualificou a devastação da floresta como uma das prováveis causas da estiagem e traçou um paralelo da atual seca no Amazonas com o furacão Katrina, que devastou o sul dos EUA.
Pará
O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), anunciou ontem o envio de 40 toneladas de alimentos para socorrer as famílias atingidas pela seca no Estado.
O governador disse que um relatório da Defesa Civil vai indicar a extensão dos estragos da seca no baixo Amazonas e determinar quais serão as medidas complementares ao envio de cestas básicas e remédios à população.
Até o final da tarde de segunda-feira, pelo menos cinco municípios -Santarém, Curuá, Óbidos, Juruti e Oriximiná- já haviam decretado situação de emergência por causa da seca.
Ontem, especialistas reunidos em Manaus (AM) concluíram que a seca é provocada pelo aquecimento do norte do Atlântico.

FSP, 19/10/2005, p. C10

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