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Em carta, empresas prometem reduzir emissão de carbono

FSP, Ciência, p. A16
26 de ago de 2009

Em carta, empresas prometem reduzir emissão de carbono
Assim como setor público, documento do setor privado não tem meta, mas sugere ao governo que defina o número
Esforço do país em migrar para uma economia de baixo carbono pode ser comprometido pelo pré-sal, indica Instituto Ethos

Eduardo Geraque
Da reportagem local

Por uma questão puramente econômica, grandes empresas brasileiras anunciaram ontem em São Paulo um compromisso para reduzir suas emissões de gases que contribuem para o aumento do efeito estufa.
O documento, apresentado durante um seminário realizado pelo jornal "Valor Econômico" e pela "Globonews", é assinado por siderúrgicas, empresas de energia, empreiteiras, redes de supermercados, entre outros setores.
As signatárias se comprometem, por exemplo, a publicar anualmente, a partir de 2010, um inventário de emissões de gases de efeito estufa. Assim como o governo federal, o setor empresarial ainda não apresentou metas de redução. Só a promessa de que fará algo.
A chamada "Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas" também oferece sugestões ao governo, tanto para a reunião sobre clima de Copenhague, em dezembro, quanto para o cenário interno.
Os empresários querem que a diplomacia brasileira, no fim do ano, assuma uma posição de liderança para a definição de metas claras de redução global de emissões de carbono, que defenda e agilize a implementação de mecanismos de desenvolvimento limpo e que regulamente o chamado Redd. Por esse mecanismo, recursos seriam dados para quem reduzisse o desmatamento.
No escopo nacional, a pedida não poderia ser outra: que o Brasil publique estimativas anuais de emissões e, a cada três anos, divulgue um inventário nacional. O último documento deste tipo que existe de forma oficial no país é de 1994.
Os compromissos divulgados ontem não são setoriais, mas individuais, assumidos por 18 grandes companhias nacionais. Mesmo assim, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), presente ao evento, classificou a carta lançada por parte do setor privado como histórica.
A fala de Roger Agnelli, diretor-presidente da Vale, resume o espírito dos grandes empresários. "A sociedade tem exigido [esse compromisso ambiental]". De acordo com o executivo, qualquer empresa que esteja no mercado internacional hoje precisa colocar a questão das mudanças climáticas em seus planos estratégicos, sob pena de sofrer prejuízos reais.
O setor automobilístico, por exemplo, é um dos que estão na berlinda. Carros que poluem mais, como os a diesel, poderão deixar de ser lucrativos para os fabricantes caso ocorra uma taxação ao carbono extra lançado por esses automóveis.
Em contrapartida, os veículos menores, a álcool, teriam até incentivos fiscais, por parte dos governos, para serem fabricados em maior quantidade.

Pré-Sal
A questão energética esteve também presente. Alguns comemoravam o avanço tímido da energia eólica na matriz brasileira. Outros, como o ministro Carlos Minc, tiveram que responder sobre a exploração do petróleo da camada pré-sal.
"Preferia que a matriz fosse outra. Mas uma vez que temos de explorá-la, o ideal é que haja mecanismos tecnológicos para evitar que o carbono seja lançado na atmosfera."
O ministro diz apostar na ainda incerta técnica de estocagem de carbono em cavidades naturais no fundo da terra. A técnica está sendo estudada, no Brasil, pela Petrobras.
A incorreta exploração do petróleo na camada pré-sal, segundo Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, fará com que a curva de emissões do Brasil, "a partir de 2015", deixe de apontar para baixo.

FSP, 26/08/2009, Ciência, p. A16

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