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Economia de água terá desconto de 20%

FSP, Cotidiano, p. C4
11 de Mar de 2004

Economia de água terá desconto de 20%
Programa estadual durará 6 meses e beneficiará usuários que pouparem ao menos 20% em relação a 2003

Isabelle Moreira Lima
Da reportagem local

A partir do próximo dia 15 começa em São Paulo e na região metropolitana uma espécie de "apagão" da água. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou ontem que quem economizar pelo menos 20% na conta de água terá um desconto fixo de 20% no total a ser pago.

O objetivo do "Programa de Incentivo à Redução do Consumo de Água", que vale até 15 de setembro, é atingir os 17 milhões de usuários da Sabesp na região.

A meta de economia é estabelecida com base no consumo do período de março a setembro de 2003. Os gastos dos meses serão somados e divididos por seis e, da média obtida, serão descontados 20%, obtendo-se assim a meta de consumo. Quem conseguir atingir essa meta recebe 20% de desconto em cima do valor total que deverá pagar à Sabesp.

Os consumidores que reduzirem o consumo em menos de 20% não terão direito ao benefício. Para os que economizarem mais do que a meta não haverá aumento no desconto.

Segundo o secretário de Estado de Energia e Recursos Hídricos, Mauro Arce, se a meta da Sabesp for atingida, haverá uma perda de R$ 105 milhões mensais na receita da empresa, incluindo arrecadação e gastos operacionais. Com o racionamento, as perdas somam R$ 56 milhões ao mês. Ele estima, porém, que a economia de consumo deve ficar em torno de 10%.

Alckmin anunciou o novo programa durante uma visita à barragem Jaguari/Jacareí do sistema Cantareira. O local foi escolhido para mostrar a situação do sistema -a mais crítica do Estado-, que em dezembro tinha apenas 1,6% de sua capacidade preenchida e hoje tem 17,1%.

Punição
A grande diferença do projeto para o racionamento de energia elétrica é a não-punição para os que não economizam. E é neste ponto que há discordância.

Desde o início da crise de água, o governo vem sendo cobrado por ambientalistas e especialistas em recursos hídricos para que se preocupe não apenas em vender água e atender à demanda mas também em adotar medidas de restrição do consumo e do desperdício, tanto por parte dos usuários como da própria Sabesp.

Para Marussia Whately, pesquisadora da área de recursos hídricos do ISA (Instituto Socioambiental), a medida demorou a ser tomada e pode não ter efeito significativo na redução do consumo. "O desconto pode não ser atrativo o suficiente para que a pessoa se disponha a economizar". Além disso, lembra ela, há a situação da cobrança nos prédios, que, em praticamente 100% dos casos, não é individualizada, ou seja, o hidrômetro é comum e os gastos de cada unidade são embutidos no valor do condomínio.
Segundo Mauro Arce, a Secretaria de Recursos Hídricos está planejando uma campanha de conscientização, em parceria com o Secovi (Sindicato de Habitação), voltada para síndicos de prédio.

Colaborou MARIANA VIVEIROS, da Reportagem Local

Sabesp vai reduzir a produção do Alto Cotia

Mariana Viveiros
Da reportagem local

Para evitar futuros racionamentos de água na região atendida pelo sistema Alto Cotia, a Sabesp planeja, já no próximo ano, cortar pela metade a captação de água na represa Pedro Beicht, que produz, em condições normais, 1.100 litros por segundo. Para tanto, vai reduzir em 50% a população abastecida pelo sistema.

A represa Guarapiranga e os reservatórios do Cantareira deverão passar a servir os cerca de 150 mil moradores da região metropolitana que sairão da área de influência do Alto Cotia. Isso será possível por causa da interligação entre os sistemas, explica o presidente da Sabesp, Dalmo Nogueira.

Segundo ele, só assim será possível evitar os freqüentes cortes no fornecimento sofridos pela população das cidades de Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra e Vargem Grande Paulista. O Alto Cotia enfrentou racionamento em 2000, em 2001 (encerrado em 2002) e, há dez dias, fica parado por 36 horas a cada 36 horas de abastecimento regular.

"A represa [Pedro Beicht], apesar de estar numa área preservada e nos dar a água de melhor qualidade da Grande São Paulo, é pequena e isolada. Não há alternativa senão reduzir o que tiramos dela", diz Nogueira. A intenção da Sabesp é passar a bombear, em 2004, 500 litros por segundo do reservatório -volume que está sendo produzido atualmente, por causa do racionamento.
Segundo Nogueira, as obras para viabilizar a interligação dos sistemas já estão em andamento.

Mudanças
A partir de hoje, a empresa altera a divisão dos bairros que estão em racionamento na área do Alto Cotia, com o objetivo de aumentar a eficiência do esquema adotado. A normalização do abastecimento depois do corte tem demorado até 50 horas em áreas de Itapecerica da Serra, por exemplo.

A nova divisão está no site www.sabesp.com.br e dúvidas podem ser esclarecidas pelo telefone 195. Ficam mantidos dois grupos de bairros, que se alternam no corte de fornecimento.

FSP, 11/03/2004, Cotidiano, p. C4

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