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Diretor de agência federal defende restrição de água à população de SP

FSP, Cotidiano, p. C6
04 de abr de 2014

Diretor de agência federal defende restrição de água à população de SP
Vicente Guillo evitou a palavra racionamento, mas afirmou que não há soluções no curto prazo
Dirigente da agência defende 'parcimônia' no uso da água e afirma que outra saída é 'rezar para chover'

DE SÃO PAULO DE BRASÍLIA

Evitando usar o termo racionamento, o diretor-presidente da ANA (Agência Nacional das Águas), Vicente Andreu Guillo, defendeu ontem que sejam adotadas "medidas restritivas" de consumo para que São Paulo não fique sem água antes da temporada de chuvas, em novembro.
"Temos que atuar com cenários restritivos. A população é mais compreensiva do que os políticos imaginam", afirmou, em audiência pública na Câmara dos Deputados.
Guillo defendeu a utilização do "volume morto" (reserva de águas profundas) pelo Estado, mas "com parcimônia", para atravessar o período de estiagem. "Isso só será possível se tomarmos medidas restritivas em benefício da população", disse.
No curto prazo, usar o "volume morto" do sistema Cantareira é a alternativa do governo Alckmin (PSDB) para tentar evitar um racionamento de água antes das eleições.
Para usar o "volume morto" do Cantareira, a Sabesp está realizando obras emergenciais de R$ 80 milhões, que devem acabar até julho.
Especialistas indicam que a água hoje disponível no Cantareira seria suficiente para abastecer a Grande SP até julho. O uso do "volume morto", segundo a Sabesp, seguraria o fornecimento de água por mais quatro meses.
Para Guillo, mesmo com as medidas imediatas, ainda será preciso "rezar" para abastecer as 9 milhões de pessoas atendidas pelo Cantareira.
"E se a chuva não vier no fim do ano? Teremos secado o volume útil e o volume morto' e não haverá mais nenhuma solução técnica possível. A solução é rezar para que chova", afirma.
Foi a primeira vez que o dirigente da ANA, órgão ligado à gestão federal Dilma Rousseff (PT), se posicionou de forma contundente sobre temas sensíveis ao governo paulista: um possível racionamento e o projeto de interligação do Cantareira e a bacia do rio Paraíba do Sul, proposto pelo governo paulista em março.
"Não podemos ser tomados por uma visão bairrista, momentânea, de ver um interesse específico aparentemente resolvido", disse Guillo, em referência velada ao embate que o projeto gerou entre Alckmin e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).
Presente na audiência, o assessor de gabinete da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Rui Brasil Assis, não descartou a possibilidade de restrições ao consumo de água no Estado.
(HELOISA BRENHA, EDUARDO GERAQUE, FERNANDA PEREIRA NEVES E MARIANA HAUBERT)

Crise da água - Perguntas e respostas

1 - Com o fim da estação das chuvas, o governo planeja um rodízio de água para a Grande São Paulo?

Governo e Sabesp dizem que não haverá rodízio na Grande SP, mas especialistas afirmam que a situação é crítica e que um racionamento já deveria estar em vigor

2 - Qual será o impacto financeiro para o governo do Estado com o bônus nas contas de água?

Segundo Alckmin, o bônus custará R$ 800 milhões até o fim do ano, mas estimativas da Folha com base em da-dos oficiais indicam que o impacto anual da medida deve ultrapassar a casa dos R$ 900 milhões

3 - Que investimentos da Sabesp deixarão de ser realizados por causa do contingenciamento anunciado?

A empresa diz que vai refazer seu plano de investimentos, mas não entra em detalhes. O valor de R$ 700 milhões contingenciado para este ano é mais do que a Sabesp investe, historicamente, em segurança hídrica (cerca de R$ 540 milhões)

4 - O bombeamento das águas profundas (volume morto) será suficiente para evitar o racionamento?

Caso não haja atraso, as águas profundas serão usadas a partir de julho e abastecerão a Grande São Paulo por quatro meses. Depois disso, ainda é possível que haja racionamento

FSP, 04/04/2014, Cotidiano, p. C6

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/159765-diretor-de-agencia-fe…

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/159781-crise-da-agua-pergunt…

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