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Brasil precisa definir já uma política para os combustíveis

FSP, Mercado, p. B7
Autor: PIRES, Adriano
03 de set de 2010

Brasil precisa definir já uma política para os combustíveis
A falta dessa política provoca uma ciclotimia em quês sempre se elege e privilegia o combustível da ocasião

Adriano Pires
Especial para a Folha

O preço do petróleo continua oscilando desde quando foi deflagrada a crise econômica, em outubro de 2008.
Enquanto isso, o governo inventa uma série de explicações para não mexer nos preços da gasolina e do óleo diesel.
Uma hora são as perdas da Petrobras, pelo fato de a estatal não ter aumentado os preços dos dois derivados quando o barril do petróleo estava acima de US$ 100.
Em outro momento, a direção da empresa anuncia que está esperando o petróleo atingir um preço de equilíbrio.
O fato é que o preço do petróleo caiu com a crise e os consumidores de gasolina e de óleo diesel ainda não sentiram nada nos bolsos.
Porém, o que todos nós sabemos é que a estatal, desde o início da crise econômica, atravessa um problema de alavancagem da dívida.
Assim, neste momento, manter os preços da gasolina e do óleo diesel acima dos do mercado internacional é uma ajuda fundamental e essencial para o seu caixa.
A política de preços da Petrobras é completamente diferente da da maioria das petroleiras -quando o barril de petróleo estava caro, a empresa subsidiava o consumidor; atualmente, com o barril mais barato, os consumidores de gasolina e de óleo diesel são compulsoriamente financiadores da estatal.
E por que tudo isso acontece? Porque falta, em primeiro lugar -e não é de hoje-, uma política de combustíveis no Brasil.
A falta de uma política de combustíveis provoca uma ciclotimia em que sempre se acaba elegendo e privilegiando o combustível da ocasião.
Já foi o óleo diesel, na época do primeiro e do segundo choques do petróleo, depois foi a vez do álcool, voltou a da gasolina -devido ao contrachoque do petróleo em 1986- e, no final dos anos 1990, foi a vez do GNV (gás natural veicular), com a inauguração do gasoduto Brasil-Bolívia. Agora é a vez do etanol e do biodiesel.
Já está mais do que na hora de o governo elaborar uma política para os combustíveis. O governo deve definir uma política de longo prazo para a matriz nacional de combustíveis automotivos, bem como uma política tributária que permita internalizar os custos ambientais dos combustíveis mais poluentes -caso da gasolina e do diesel- e beneficiar os menos poluentes, como o etanol, o biodiesel e o GNV.
Em segundo lugar, a Petrobras precisa utilizar a sua liberdade de fixação de preços dos derivados em benefício dos seus acionistas e da própria empresa, que acaba sendo prejudicada pelo fato de ter sua política de preços guiada pelos projetos políticos do governo de plantão.
Já está na hora de despolitizar o assunto e dar sinais econômicos corretos para os investidores e para os consumidores.

Adriano Pires é diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

FSP, 03/09/2010, Mercado, p. B7

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0309201023.htm

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