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Área do Brasil cultivada com transgênicos aumenta 22%

FSP, Dinheiro, p. B5
19 de Jan de 2007

Área do Brasil cultivada com transgênicos aumenta 22%
País tem o terceiro maior crescimento no uso de sementes geneticamente modificadas
As lavouras transgênicas representam cerca de um quarto da extensão total plantada de grãos; dados incluem só algodão e soja

Marta Salomon
Da sucursal de Brasília

A área plantada com variedades transgênicas no Brasil passou a 11,5 milhões de hectares no ano passado, após registrar o terceiro terceiro maior crescimento no mundo, informa relatório divulgado ontem pela ISAAA (sigla em inglês para Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia).
Autorizado em 2005, o plantio de sementes de algodão resistente a insetos alcançou 120 mil hectares no ano passado, ou o equivalente a 15% da safra brasileira, estimou o representante da ISAAA no Brasil, Anderson Galvão.
Mas o maior crescimento ocorreu nas lavouras de soja geneticamente modificada para tolerar herbicidas, que confirmou no ano passado a posição de maior cultura transgênica no mundo. Somadas, as lavouras transgênicas representam no Brasil cerca da quarta parte da área total plantada de grãos.
Em 2006, o país aumentou a área plantada com variedades de soja e algodão transgênicos em 2,1 milhões de hectares -alta de 22%. Em números absolutos, o crescimento desse tipo de cultura no Brasil só perdeu para os EUA e a Argentina.
O relatório da ISAAA -organização não-governamental defensora dos transgênicos- só considera as culturas liberadas oficialmente nos países pesquisados. No caso do Brasil, o documento não considerou áreas plantadas com sementes de milho geneticamente modificados, embora haja registro de culturas clandestinas do grão.
O Brasil só passou a integrar a pesquisa da ONG em 2003, depois da primeira autorização para a comercialização de safra de soja transgênica, concedida pelo governo Lula. No ranking divulgado em 2004, o país já aparecia em quarto lugar.
Em 2005, o Brasil passou para terceiro lugar na lista da ONG. Comparado aos demais países, foi o que registrou então a maior expansão da área plantada. Embora acelerado, o ritmo de crescimento das lavouras não se manteve em 2006.
No mundo todo, a área semeada com transgênicos no ano passado aumentou 12 milhões de hectares ou 13% em relação a 2005. A área total de cultivo atingiu 102 milhões de hectares. O maior aumento proporcional foi registrado na Índia, que quase triplicou a área plantada. No ranking dos dez maiores produtores de transgênicos, o Brasil está ao lado dos outros três sócios principais do Mercosul: Argentina, Paraguai e Uruguai.
Ainda de acordo com o relatório divulgado ontem, o crescimento das culturas transgênicas foi mais acentuado em países em desenvolvimento, que já respondem por 40% da área plantada com sementes geneticamente modificadas no mundo.
Atualmente, 51 países autorizam o plantio ou importação de grãos transgênicos .

ONG vê risco de milho ter liberação "forçada"

Da sucursal de Brasília

O representante do ISAAA no Brasil, Anderson Galvão, disse que há registro de áreas plantadas com variedades de milho transgênico no Brasil, apesar de o plantio não ter sido autorizado no país. Por ter origem em contrabando, essas lavouras não foram consideradas no relatório mundial da organização não-governamental.
Estaria se repetindo com o milho a história do cultivo de variedades transgênicas de soja e algodão, que entraram no Brasil por meio de sementes clandestinas, trazidas da Argentina. No caso da soja e do algodão, as culturas ilegais acabaram forçando a liberação oficial, durante o primeiro mandato do presidente Lula.
O ritmo de crescimento das culturas clandestinas de milho seria menos acelerado, afirmou o representante da ONG, porque as sementes não podem ser guardadas de uma safra para outra. "Existem lavouras clandestinas, mas as áreas são pouco significativas por causa dessa limitação: o produtor tem de comprar sementes todo ano."
Em dezembro, liminar concedida pela Justiça Federal no Paraná barrou a primeira liberação comercial de variedade de milho transgênico no país.
Na ocasião, o presidente da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), Walter Colli, criticou a decisão da Justiça e previu que, sem autorização legal, as sementes geneticamente modificadas entrariam no país por meio de contrabando. (MS)

FSP, 19/01/2007, Dinheiro, p. B5

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