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Amorim vê acordo do clima só em 2012

FSP, Ciência, p. A17
27 de out de 2010

Amorim vê acordo do clima só em 2012
Ministro das Relações Exteriores diz que "nível das aspirações baixou muito" em reuniões globais sobre o tema
Presidente Lula anuncia intenção de ir a rodada de conversas neste ano no México; Brasil libera inventário de gás-estufa

Claudio Angelo

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, descartou ontem a obtenção de um acordo global sobre mudanças climáticas no ano que vem e disse esperar que "o momento decisivo" da negociação aconteça em 2012 no Rio de Janeiro.
Mesmo assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou sua intenção de ir à conferência do clima de Cancún, em novembro.
Fechar o novo acordo em 2012 significa uma perda de três anos desde o fracasso da conferência de Copenhague, em 2009. Significa também que haverá um buraco no qual o mundo não terá acordo algum em vigor, já que o Protocolo de Kyoto, o único instrumento existente hoje, expira em 2012 -e leva tempo para todos os países ratificarem o próximo pacto.
Durante reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas ontem, em Brasília, Amorim tratou de esfriar os ânimos em relação às perspectivas da conferência de Cancún, a COP-16.
A principal razão para isso foi a recente morte da lei do clima no Senado dos EUA, o que colocou o maior emissor histórico de volta à estaca zero na luta contra o CO2.
"O nível das aspirações baixou muito. Não haverá um grande acordo, mas pode haver avanços em partes específicas", afirmou, citando por exemplo o mecanismo de redução de emissões por desmatamento, o Redd+.
Isso daria impulso às negociações, "primeiro na África do Sul, no ano que vem, e quem sabe depois algo importante na Rio +20", disse, em referência à cúpula em 2012 que marcará os 20 anos da histórica Eco-92.
Lula aproveitou para incentivar o comparecimento ao México: "Se a conferência não estiver boa, Cancún é sempre muito bom".
O Brasil está em posição privilegiada nas negociações. Além de ter assumido a meta de corte de 36,8% a 38,9% de suas emissões em relação ao projetado para 2020, o país regulamentou ontem um fundo para financiar ações de redução de CO2 e de adaptação ao clima.

REPETECO
O governo também apresentou a versão final do segundo inventário brasileiro de emissões de gases-estufa, que abrange o período de 1990 a 2005.
Como antecipou em 2009 o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, as emissões subiram 60%: de 1,484 bilhão de toneladas de CO2 equivalente em 1990 para 2,192 bilhões em 2005.
O governo esperou um ano pelo dado, para só então ir adiante com a regulamentação da lei nacional, que deve acontecer no mês que vem.
Porém, não apenas os dados finais são praticamente idênticos aos de um ano atrás como a projeção das emissões em 2020 apresentada ontem por Rezende é a mesma de um cálculo do Ministério do Meio Ambiente que baseou a meta brasileira: 2,7 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.
Segundo Tasso Azevedo, consultor do Meio Ambiente, isso prova que o Brasil poderia fazer estimativas anuais de emissões se quisesse.

FSP, 27/10/2010, Ciência, p. A17

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2710201002.htm

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