VOLTAR

Amazonas prepara publicação da Carta de Manaus

A Crítica-Manaus-AM
05 de Set de 2002

Com o objetivo de unir e organizar as diversas comunidades indígenas existentes no Amazonas, o Governo do Estado já iniciou o projeto de publicação da Carta de Manaus, que retrata a realidade vivida pelas tribos indígenas nos diversos municípios do Estado. A Carta é um documento elaborado pela Fundação Estadual de Política Indigenista (Fepi), que retrata a preocupação do Governo do Estado com as reivindicações indígenas como distribuição territorial e uso moderado das reservas naturais.

As sugestões apresentadas na Carta foram elaboradas durante a 1ª Conferência de Pajés do Amazonas, ocorrida em agosto, em Manaus. As primeiras 2 mil cópias do documento (em formato de cartilha) estarão prontas a partir da próxima semana, quando finalmente serão distribuídas entre estudantes, jornalistas, políticos e membros das comunidades indígenas em todo o Estado.

A cartilha traz o posicionamento das lideranças tribais sobre vários assuntos, como caça predatória, uso indiscriminado dos recursos minerais, biotecnologia e exploração do ecossistema.

"Com a publicação da Carta de Manaus, finalmente organizaremos as entidades que apóiam as causas indígenas, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Fundação Oswaldo Cruz, entre outros", explicou o presidente da Fepi, Ademir Ramos.

Entre os resultados obtidos na Conferência dos Pajés está o repúdio à política de utilização da Amazônia apresentada pela Comunidade Européia, que sugere a divisão do Amazonas em diversas áreas para facilitar o controle territorial.

De acordo com Ademir, a Europa não tem idéia sobre a realidade vivida na Amazônia. "As sugestões apresentadas pela Comunidade Européia são impossíveis de ser aplicadas em nosso Estado. Não podemos fazer experiências irresponsáveis na Região Amazônica", destacou.

Segundo o presidente da Fepi, as tribos indígenas sempre colaboraram para a preservação do território amazonense, por isso não podem ser excluídas das discussões sobre o uso racional das reservas naturais. "Os países europeus não sabem como é difícil viver num território cobiçado por tantos empresários e multinacionais", acrescentou Ademir.

O próximo passo para divulgar a realidade das comunidades indígenas será o Seminário sobre Proteção Ambiental, realizado nos próximos dias 17 e 18, em Brasília. A intenção é levar as reivindicações das tribos amazônicas para serem discutidas em nível federal

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.